Olá, Mundo!
Fiquei muito tempo pensando no que exatamente queria que meu primeiro texto nesse blog fosse. Por mais que minha mente vagasse para vários lugares - temas de TI e tecnologia, falar de jogos ou filmes que eu gosto, compartilhar algum conhecimento - ela sempre voltava para a mesma ideia central: um texto mais simples, pessoal, de "Olá, Mundo!".
Mas o que exatamente seria um texto de "Olá, Mundo!"? Eu mesmo me perguntei isso. Afinal, o termo por si só não quer dizer nada. Nem é um termo real, na verdade - é só algo que minha mente chegou por conta do meu histórico de estudante de programação.
Na programação, existe o que se popularizou como programa de "Olá, Mundo!": um programa simples, que apenas escreve essa frase no terminal, crua e sem firula. Esse tipo de programa costuma ser usado como exemplo da sintaxe básica de uma linguagem - como as palavras e os termos do código são escritos - e, muitas vezes, é o primeiro programa que um estudante escreve numa linguagem nova.
Outro uso muito comum é mais prático: não apenas observar a sintaxe, mas verificar se a configuração do seu ambiente está funcionando. Se as ferramentas necessárias para começar a escrever código estão todas lá, se o compilador - o programa que transforma código humano em código de máquina - está rodando. Ele serve como um "teste de sanidade", para confirmar que tudo está em ordem.
Mas ainda fica a questão: como transcrever isso para um texto? O que seria o equivalente em post ao programa de "Olá, Mundo!"? Seria apenas uma mensagem simples para ver se o setup de escrita está funcionando? Se o blog está realmente publicando? Teria esse texto alguma utilidade além disso?
Bem, não sei exatamente. Mas talvez o que eu gostaria é que ele fizesse exatamente o que o nome diz. Esse texto é um olá para você, leitor do mundo. Um grito de "cheguei, e esse é o meu canto". Estou começando um blog.
Ele também é mais do que uma simples mensagem - vai servir como um texto de apresentação. Já existe uma bio aqui no blog, mas a proposta aqui é diferente: falar menos sobre mim e mais sobre o porquê das coisas.
No manifesto desse blog - sugiro muito ler na área "Sobre", no campo "Missão" - falo um pouco do motivo de o projeto existir: sobre a internet atual, tomada por marketing e algoritmos, e sobre o sentimento de vazio que ela muitas vezes traz. Mas ao reler o manifesto, uma coisa ficou me incomodando. O porquê agora? Por que um blog, justamente na era em que vídeos curtos dominam tudo?
Primeiro: por que agora? Por mais que pareça engraçado, a resposta é simplesmente porque sim. Há algum tempo venho sentindo vontade de criar algo novo. Por muito tempo gastei minha energia criativa nas minhas aventuras de RPG - sim, sou narrador e já joguei muito, apesar de no momento em que escrevo isso estar sem grupo ativo.
Talvez a falta de um grupo de RPG, e de criar histórias, narrativas e personagens, tenha gerado um vazio criativo que foi se acumulando. Essa vontade foi ficando ali, sem que eu realmente lidasse com ela, porque a correria do dia a dia - faculdade e trabalho - sempre a empurrava para depois.
Mas o que normalmente acontece com uma vontade que a gente vai deixando em segundo plano não é ela sumir - é ela crescer e se tornar um incômodo. Não sei se acontece com todo mundo, mas foi o que aconteceu comigo. Eu precisava criar algo, escrever, compartilhar. E simplesmente chegou uma hora em que precisou sair. Então: agora, porque sim.
Segundo: por que um blog? Talvez hoje em dia fosse mais estratégico criar conteúdo em vídeo, de dois a cinco minutos, para postar numa rede social. Possivelmente faria mais sucesso do que escrever num blog. Mas se você leu o manifesto - vai lá, é rapidinho - saberia que tenho um incômodo com a forma como essas redes funcionam. Vídeos curtos e rápidos, muitas vezes com conteúdo fraco, feitos apenas para prender sua atenção e dar um impulso de dopamina mínimo suficiente para te viciar. É, talvez criar um blog seja uma forma de protesto à maneira como a internet está sendo construída hoje.
Muito desse blog surgiu pela minha descoberta de movimentos que tentam resgatar mais liberdade na internet através de sites pessoais - como o IndieWeb, o Web Revival e o Personal Web, entre outros. Esses movimentos, muitos deles não oficiais, são uma tentativa coletiva de pessoas fugindo da internet "vazia" de hoje: de retomar o sentimento de descoberta dos primeiros anos da web e de escapar do controle dos algoritmos que tentam moldar tudo que fazemos e consumimos.
Muitos desses movimentos e pessoas criam pequenas comunidades linkando um site pessoal a outro, compartilhando ideias e sentimentos de forma livre. Plataformas como Neocities, Nekoweb e Netlify, entre muitas outras, oferecem formas fáceis de criar e hospedar seu site - até mesmo com planos gratuitos - e ajudam muito essas comunidades a nascerem.
Algumas dessas comunidades e movimentos tentam até reviver a estética visual da internet dos anos 2000, o que não é de forma alguma a intenção desse blog. Mas a ideia de ter seu próprio site, seu domínio e controle sobre o seu conteúdo ressoa muito com a forma que eu penso. Talvez por isso esses movimentos tenham me fisgado tanto. Depois de estudar mais sobre eles e entender direitinho o que é cada um, pretendo fazer um texto mais aprofundado sobre o assunto.
E talvez o maior motivo de ser um blog - e não outra coisa - seja exatamente o texto em si. Acho que é a mídia em que me comunico melhor e sinto menos vergonha de compartilhar algo. Não gosto de gravar vídeos ou tirar fotos, de aparecer com minha imagem. O texto se torna um amigo íntimo e confortável que posso usar para expressar o que penso e sinto.
Meu objetivo nesse blog é não ter amarras e escrever sobre o que eu quiser. Mas também quero que ele seja útil para alguém - então planejo usar esse espaço para, humildemente, ensinar algumas das coisas que sei e estou aprendendo, principalmente sobre desenvolvimento e programação. Se eu conseguir ajudar nem que seja uma pessoa a construir um software qualquer, sinto que já valeu tudo a pena.
Por último, faço um convite a você que chegou até aqui: crie algo, se expresse, faça um blog pessoal e compartilhe. Me manda uma mensagem - vou ler seu blog também e vou linkálo como vizinho aqui no aside. Vamos tentar construir uma comunidade mais legal, livre e independente.
Então acho que é isso. Olá, Mundo! Minha nave chegou - e está aberta a todos.